segunda-feira, 9 de março de 2009
Era uma vez...
Era uma vez uma plebéia que sonhava em virar princesa. Era uma menina alegre, simpática, esbanjava jovialidade e energia para todos. Vivia uma vida simples, mas honesta. Estudou, trabalhou, acordava cedo, dormia tarde, mas nunca deixou de alimentar a esperança de um dia se tornar uma feliz princesa. Ela tanto sonhou, desejou e procurou que se apaixonou por um príncipe e ele por ela. Namoraram, casaram e se mudaram para um castelo. Num reino distante, esse castelo ficava longe de tudo. A princesa tinha a vida que sempre sonhara: amor verdadeiro, muita fartura, muitas festas, muitas roupas bonitas, pessoas importantes, nenhum problema financeiro, uma linda carruagem, jóias, e tempo para aproveitar tudo isso. Mas ela começou a reparar que, como em todo Conto de Fadas, o dela também tinha um “porém”. Um feitiço, talvez. Toda aquela vida de sonhos não era dela!! O castelo não pertencia a ela; a carruagem, embora fosse um presente do príncipe, não estava em nome dela; os amigos não eram dela; as roupas não eram do gosto dela; as festas eram “aturadas” à base de bebida. Somente champagne importada, claro, mas com alto teor alcoólico. A única coisa verdadeira era o seu amor pelo príncipe e o dele por ela. Mas o feitiço dizia: “Uma vez que esse amor acabar, nada restará. Uma vez só, tudo virará pó!”. E a princesa pensava: E o meu livre arbítrio? E se eu me apaixonar por outro? E, se pior, o príncipe se apaixonar por outra? Bom, o feitiço era implacável. Tudo viraria pó! O que restava a princesa? Viver a vida que ela tanto havia desejado e sonhado... embora ela agora não sonhasse tão alto quanto antes. Na verdade, ela tinha perdido a capacidade de sonhar. Junto se foi a sua alegria, simpatia, jovialidade e energia. Ela sobrevivia, dia após dia, num mundo de conto de fadas, mas tão vazio quanto a sua alma...
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