No inicio eu pensava que eram apenas pessoas desocupadas reunidas por falta de algo melhor para fazer. Me incomodava a obrigação quase semanal de se reunir, contar as mesmas histórias e rir delas, falar de alguém que não estava presente, comentar a vida dos outros, jogar cartas ou simplesmente beber Coca-cola com Bacardi. Quantas vezes relutei em participar dessas reuniõezinhas, que eu pronunciava assim mesmo no diminutivo só para fixar a minha desaprovação. Eu inventava desculpas, trabalhava até tarde propositalmente, ficava até doente ou encarava algum outro compromisso de família tão desanimador quanto... E quando não tinha jeito, lá estava eu, presente de corpo, mas sem alma. Escutava conversas, participava e até ria delas, falava sobre roupas da moda, sorria, comia, e até bebia uma Cuba Libre para encarar tudo isso. Por muito tempo não me senti parte daquele grupo, apenas uma mera expectadora. Foi então que decidi fazer um tipo de exercício para passar o tempo: analisar o perfil de cada componente do grupo. Era até divertido. Não vou descrever os perfis que encontrei porque o texto ficaria muito longo. A verdade é que ao analisar essas pessoas encontrei coisas surpreendentes. Não eram seres vazios como eu havia imaginado, muito menos pessoas sem coração ou sentimento. Estavam reunidos por puro prazer, se divertiam de verdade e aguardavam com ansiedade os encontros semanais. Tanto que descobri que muitos se encontravam várias vezes por semana. Para tomar um café, um chope, fazer compras ou simplesmente sentar num bar e jantar um galetinho só para ficarem mais tempo juntos. Descobri que ali havia sinceridade, companheirismo, admiração, ajuda mútua, preocupação com o próximo e porque não dizer amor? Aquilo era a maior demonstração de amizade que eu jamais vira na vida. Sim, não posso negar que tenho grandes amigas. Sei que posso contar com elas para o que der e vier. Algumas me ligam quase que diariamente, com outras falo por e-mails ocasionais, e tem algumas que mal consigo encontrar, mas TODAS tem grande importância na minha vida, na minha história e no meu coração. Infelizmente hoje nenhuma delas faz parte do MEU GRUPO. Não temos uma rotina de encontros, não priorizamos o “estarmos juntas”, não compartilhamos o dia-a-dia umas das outras, não temos tempo de conversar sobre futilidades, rir de bobeiras, fazer compras ou sair para jantar semanalmente. Cada amiga minha tem uma vida diferente, um GRUPO diferente, uma prioridade diferente. Isso é normal e natural. Tenho orgulho de amar e entender a vida de todas elas. Mas confesso que muitas vezes eu as imagino nos meus “encontros semanais” que, a propósito, hoje encaro com muito prazer. As vejo dançando comigo, felizes, bebendo, fumando escondido, gargalhando sem motivo e cantando abraçadas sagradamente no fim de cada festa: “Quero chorar o seu choro, quero sorrir seu sorriso, valeu por você existir, AMIGO!”.
Dedico esse texto ao GRUPO que aprendi a amar e admirar.
Obrigada por me permitirem fazer parte dessa Grande Família.
Dedico esse texto ao GRUPO que aprendi a amar e admirar.
Obrigada por me permitirem fazer parte dessa Grande Família.