terça-feira, 11 de agosto de 2009

Cuba Libre


No inicio eu pensava que eram apenas pessoas desocupadas reunidas por falta de algo melhor para fazer. Me incomodava a obrigação quase semanal de se reunir, contar as mesmas histórias e rir delas, falar de alguém que não estava presente, comentar a vida dos outros, jogar cartas ou simplesmente beber Coca-cola com Bacardi. Quantas vezes relutei em participar dessas reuniõezinhas, que eu pronunciava assim mesmo no diminutivo só para fixar a minha desaprovação. Eu inventava desculpas, trabalhava até tarde propositalmente, ficava até doente ou encarava algum outro compromisso de família tão desanimador quanto... E quando não tinha jeito, lá estava eu, presente de corpo, mas sem alma. Escutava conversas, participava e até ria delas, falava sobre roupas da moda, sorria, comia, e até bebia uma Cuba Libre para encarar tudo isso. Por muito tempo não me senti parte daquele grupo, apenas uma mera expectadora. Foi então que decidi fazer um tipo de exercício para passar o tempo: analisar o perfil de cada componente do grupo. Era até divertido. Não vou descrever os perfis que encontrei porque o texto ficaria muito longo. A verdade é que ao analisar essas pessoas encontrei coisas surpreendentes. Não eram seres vazios como eu havia imaginado, muito menos pessoas sem coração ou sentimento. Estavam reunidos por puro prazer, se divertiam de verdade e aguardavam com ansiedade os encontros semanais. Tanto que descobri que muitos se encontravam várias vezes por semana. Para tomar um café, um chope, fazer compras ou simplesmente sentar num bar e jantar um galetinho só para ficarem mais tempo juntos. Descobri que ali havia sinceridade, companheirismo, admiração, ajuda mútua, preocupação com o próximo e porque não dizer amor? Aquilo era a maior demonstração de amizade que eu jamais vira na vida. Sim, não posso negar que tenho grandes amigas. Sei que posso contar com elas para o que der e vier. Algumas me ligam quase que diariamente, com outras falo por e-mails ocasionais, e tem algumas que mal consigo encontrar, mas TODAS tem grande importância na minha vida, na minha história e no meu coração. Infelizmente hoje nenhuma delas faz parte do MEU GRUPO. Não temos uma rotina de encontros, não priorizamos o “estarmos juntas”, não compartilhamos o dia-a-dia umas das outras, não temos tempo de conversar sobre futilidades, rir de bobeiras, fazer compras ou sair para jantar semanalmente. Cada amiga minha tem uma vida diferente, um GRUPO diferente, uma prioridade diferente. Isso é normal e natural. Tenho orgulho de amar e entender a vida de todas elas. Mas confesso que muitas vezes eu as imagino nos meus “encontros semanais” que, a propósito, hoje encaro com muito prazer. As vejo dançando comigo, felizes, bebendo, fumando escondido, gargalhando sem motivo e cantando abraçadas sagradamente no fim de cada festa: “Quero chorar o seu choro, quero sorrir seu sorriso, valeu por você existir, AMIGO!”.

Dedico esse texto ao GRUPO que aprendi a amar e admirar.
Obrigada por me permitirem fazer parte dessa Grande Família.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Quem é você?

Quem você pensa que é pra me invadir desse jeito? Quem te deu permissão para devastar a minha alma, revirar meus sentimentos e me fazer ver o meu lado mais podre? Eu não quero analisar minha culpa, não quero admitir meus erros, não quero enxergar meus medos. Você é tão livre, tão independente, tão “sabe-tudo”... e daí? Me deixa aqui no meu mundo. Não se meta onde não te interessa. Quem te convidou pra minha vida? A minha ilusão só pertence a mim. Não quero ver o seu olhar crítico, o seu rosto impassível, nem a sua mão me puxando pra fora de mim. Não quero a sua ajuda. Não quero me mexer e ter que remexer em tudo o que construí ao meu redor para me proteger de mim. Não quero reconhecer que preciso mudar. Muito menos admitir que você tem razão.

Não me abandone... não me perca de vista... não desista de mim!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Era uma vez...

Era uma vez uma plebéia que sonhava em virar princesa. Era uma menina alegre, simpática, esbanjava jovialidade e energia para todos. Vivia uma vida simples, mas honesta. Estudou, trabalhou, acordava cedo, dormia tarde, mas nunca deixou de alimentar a esperança de um dia se tornar uma feliz princesa. Ela tanto sonhou, desejou e procurou que se apaixonou por um príncipe e ele por ela. Namoraram, casaram e se mudaram para um castelo. Num reino distante, esse castelo ficava longe de tudo. A princesa tinha a vida que sempre sonhara: amor verdadeiro, muita fartura, muitas festas, muitas roupas bonitas, pessoas importantes, nenhum problema financeiro, uma linda carruagem, jóias, e tempo para aproveitar tudo isso. Mas ela começou a reparar que, como em todo Conto de Fadas, o dela também tinha um “porém”. Um feitiço, talvez. Toda aquela vida de sonhos não era dela!! O castelo não pertencia a ela; a carruagem, embora fosse um presente do príncipe, não estava em nome dela; os amigos não eram dela; as roupas não eram do gosto dela; as festas eram “aturadas” à base de bebida. Somente champagne importada, claro, mas com alto teor alcoólico. A única coisa verdadeira era o seu amor pelo príncipe e o dele por ela. Mas o feitiço dizia: “Uma vez que esse amor acabar, nada restará. Uma vez só, tudo virará pó!”. E a princesa pensava: E o meu livre arbítrio? E se eu me apaixonar por outro? E, se pior, o príncipe se apaixonar por outra? Bom, o feitiço era implacável. Tudo viraria pó! O que restava a princesa? Viver a vida que ela tanto havia desejado e sonhado... embora ela agora não sonhasse tão alto quanto antes. Na verdade, ela tinha perdido a capacidade de sonhar. Junto se foi a sua alegria, simpatia, jovialidade e energia. Ela sobrevivia, dia após dia, num mundo de conto de fadas, mas tão vazio quanto a sua alma...